Jesus – parte 9

Série: O EVANGELHO SEGUNDO JESUS / Tema: O Senhorio de Cristo;

Temos de reconhecer o senhorio de Cristo em nossas vidas como o poder que de fato liberta, inclusive no nosso próprio “eu“. Deus já fez de Jesus “Senhor e Cristo” (Atos 2.36), portanto, ninguém precisa fazer isso. No NT Jesus é citado como Senhor 747 vezes. Em Atos 92 vezes, enquanto de que Salvador Ele é chamado só duas vezes. Isso mostra que as pregações dos apóstolos focalizavam Cristo como Senhor e não como Salvador, porque não há diferença ente aceitar o Salvador e o Senhor. O senhorio de Cristo estava explícito nas pregações e nos apelos para a Salvação (Atos 2.21 e 36; 16.31 / Romanos 10.9).
Quer a pessoa creia ou não, aceite ou não, JESUS CRISTO É SENHOR! E quando o final dos tempos se aproximar, tanto aqueles que aceitaram como os que o rejeitaram, dobrarão seus joelhos diante dEle (Romanos 14.9 / Filipenses 2.11).
. Jesus é Deus Todo-Poderso, Criador e Aquele que nos sustenta em todas as coisas (Colossenses 1.16-17)
. Jesus é Soberano, Senhor do sábado (Mateus 12.8)
. Deus Lhe deu todo o julgamento (João 5.22-23)

Em Mateus 7.22 Jesus mesmo disse que somente pronunciar “Senhor, Senhor” não é garantia alguma de que essa pessoa viva sob o senhorio dEle. Quando Ele falava aos incrédulos, pode-se notar que Ele sempre ressaltava Seu senhorio como foco:
. No caso do jovem rico, Ele exigiu que o rapaz reconhecesse seu senhorio: “segue-me” (Mateus 19.21)
. Jesus pôs à prova a declaração de fé daqueles que O chamavam de Senhor (Lucas 6.46-49)
. A salvação deve preceder ao senhorio de Cristo.

O senhorio de Cristo é enfatizado na Bíblia. No livro de John MacArthur “O Evangelho segundo Jesus” diz:
. Que foi o próprio Jesus quem disse que o que “importa é nascer de novo” (João 3.3;7). Não pode haver justificação se não houver regeneração.
. Em Tiago 2.20 vemos que a fé sem obras é morta e ninguém é salvo por uma fé morta (sem ação).
. Consulte Mateus 10.22 e veja o que Jesus disse acerca da perseverança na retidão, que é o que prova a verdadeira justificação.
. Crer apenas num Jesus que salva, mas que não Se torna o Senhor de sua vida, é acreditar num Jesus criado pelos homens e não por Deus. Jesus salva e é único Senhor e foi Ele mesmo quem nos disse para fazermos o que Ele nos manda (Lucas 6.46)
. Para servir a Cristo é necessário “negarmos a nós mesmos, dia a a dia tomarmos nossa cruz e seguí-Lo” (Lucas 9.23)
. Não veremos ao Senhor se não formos santificados (Hebreus 12.14)

As pregações, sejam elas feitas por pessoas que fazem parte da categoria eclesiástica de uma denominação ou por qualquer outra pessoa cristã, quando conversamos com as pessoas em nosso dia a dia sobre Jesus, devem ser norteadas pelas referências bíblicas que acabamos de comentar. É muito perigoso proclamar mensagens que se adaptem ao que as pessoas buscam, sendo somente acolhedores e amigáveis. Temos de receber com amor os que foram alcançados por mensagens desse tipo, mas temos de mostrar à elas que devem assumir um genuíno compromisso com o Cristo Senhor e Salvador todos os dias.
Não podemos ser como aquele tipo de gente que tenta parecer religioso, mas está muito afastado da porta e do caminho estreito. Jesus chamava-os de hipócritas. Também não podemos nos autonomear crentes por estarmos há muito tempo frequentando uma igreja, quando não temos um relacionamento íntimo e pessoal com o senhorio de Jesus, não devemos ser superficiais. Quem não quer seguir realmente as pegadas do Mestre e pagar o preço do discipulado, acaba se transformando numa pessoa que vai à igreja à procura de seu bem estar apenas, pedindo curas, milagres… são os consumidores de bênçãos.

A forma bíblica de divulgarmos o Evangelho é falar de Jesus a ponto das pessoas se libertarem do legalismo e do paganismo, como podemos ver que já ocorreu em 1 Tessalonicenses 1.5-9. Um Evangelho ao gosto do freguês não é capaz de transformar completamente as pessoas. E como fazemos isso?
a) Pregando no Poder e não no marketing religioso que se criou nos últimos tempos. No grego, a palavra Dinamis quer dizer Poder de Deus e isso não pode ser criado com técnicas e métodos. Quando colocamos o marketing pessoal nas ministrações subvertemos e adulteramos os preciosos valores do Evangelho de Jesus. Não podemos ser negligentes quanto à nossa responsabilidade individual de pregar somente o que está na Bíblia e nada mais! É esse tipo de proclamação do Evangelho que forma a identidade da igreja e a faz ser a Igreja de Cristo. Apelos sentimentalistas, vendedores de “indulgências” religiosas e muitas coisas do gênero que vemos por aí hoje em dia (infelizmente), não se pode ser misturado ao genuíno Evangelho do Senhor, que é algo Sagrado demais para que se acrescente ou retire algo dele!
b) Falar de Jesus sob a inspiração do Espírito Santo e não na nossa pecaminosa carnalidade. Quando as palavras são desprovidas do Espírito Santo, elas são apenas um artifício humano, fogo estranho, pois foram criados apenas pela mente humana. Precisamos adotar uma postura que verdadeiramente faça jus ao termo evangélico, sem relativismo e sem aderirmos aos modismos mundanos para atrair as pessoas até as igrejas. Antigamente o povo grego usava de técnicas de persuasão para controlar as mentes das pessoas e hoje não estamos muito longe disso. Sabemos identificar uma pregação feita somente na carne quando ela não promove mudanças na vida das pessoas; somente quando o Espírito Santo opera em nós através de uma Palavra é que o pecador consegue vivenciar uma mudança real em sua natureza de carne.
c) Temos de ter convicção plena daquilo que estamos dizendo e não apenas baseada em um profissionalismo ou porque fulano que é um pregador famoso disse e eu simplesmente cri, sem ao menos consultar o que a Bíblia diz a respeito. Nossas convicções devem ser moldadas pelas Palavra de Deus somente, que é imutável e não pelos aspectos da cultura. O Evangelho não é um conjunto de informações e se o transformamos nisso, o que antes era uma vocação do Senhor e uma vida pela fé, acaba se tornando uma carreira com direito à cachê. O Evangelho é um poder altamente transformador, que causa impacto em sua vida e você vive na suficiência da Palavra de Deus.

Em 1 Tessalonicenses 1.3-10 vemos que uma pregação verdadeiramente bíblica é capaz de produzir crentes genuinamente convertidos à Jesus, que demonstram uma fé que pode ser notada e avaliada (1.3 e 9). Vemos que discípulos verdadeiros se tornam discipuladores e não apenas frequentadores de reuniões (1.6); discípulos que buscam ser cada dia mais a imagem do Cristo (7). A palavra ‘modelo’ está no singular, enquando ‘vós’ está no plural, isso quer dizer que consideramos a Igreja como um todo e o cristão como indivíduo. Os discípulos devem estar compromissados com uma visão além das 4 paredes que forma o templo da igreja (8), uma comunidade que não sofra da síndrome do Mar Morto (que só recebe e sonega o que recebeu de graça). A Bíblia mostra que através dos discípulos comprometidos com o Evangelho do Reino, a Palavra de Deus repercutiu, divulgou, ressoou em todas as direções e é assim que tem de continuar sendo. Jesus tem de ser o centro e a razão da existência da Igreja. As igrejas não devem ser uma organização fria, mas unidos e congregados pelo Espírito Santo de Deus, que vivam o senhorio de Cristo e preguem uma mensagem realmente bíblica.

A expressão “Reino de Deus” é o cerne do ensino de Jesus. Sempre que falamos de Jesus somos levados a testemunhar do Reino de Deus. Mateus usa o termo “reino dos céus”, Marcos e Lucas usam “reino de Deus”. A palavra ‘céus’ em Mateus é substituída pela palavra ‘Deus’ em Lucas e Marcos, o que nos faz concluir que ambas são sinônimas.
No sermão do monte vemos que o reino de Deus foi o ensino principal dEle (Mateus 5.3;10;19;20; 6.10;33; 7.21). Quando instruía Seus discípulos, Jesus enfatizava o reino de Deus (Mateus 16.19; 18.3-4 / Marcos 9.43). Quando ocorriam conflitos religiosos, Jesus também não deixava de propagar o reino do Pai (Mateus 12.28;21.31 e 43; 22.2; 23.13). Quando no momento de Seu julgamento, o mesmo assunto foi evidenciado por Jesus (João 18.36-37). As últimas palavras de Cristo na Terra foram sobre o reino de Deus (Atos 1.3).
A palavra grega basiléia é traduzida como reino e quer dizer autoridade real, soberania, domínio. É a esfera na qual a soberania de Deus é conhecida e Sua vontade é suprema. Resumindo: é a vida do cristão sendo vivida no Espírito de Deus. Em Romanos 14.17 vemos o apóstolo Paulo dizendo que “o reino de Deus não é comida nem bebida”, porque ele quis reforçar a ideia de que as coisas físicas e materiais não devem ser sobrepostas às espirituais e eternas. Quando falamos do reino de Deus proclamamos o senhorio de Cristo, pois o reino trata de coisas referentes à Jesus (Atos 28.37).

Há 2 aspectos básicos nos ensinos de Jesus sobre o reino de Deus. O 1º nos diz que o reino de Deus é uma realidade presente e espiritual. Em Lucas 17.21 a palavra ‘dentro’ quer dizer ‘dentro’ mesmo e também ‘no vosso meio’, ou seja, o reino de Deus nasce dentro do homem quando este aceita o senhorio de Cristo sobre a sua vida e se materializa na continuidade dos salvos (entre, no meio) que vivem de maneira digna do reino. A maior parte dos ensinos de Jesus sobre o reino de Deus se dá ao seu aspecto presente, que está crescendo e se espalhando entre a humanindade. O reino está em nós como fermento, como vemos em Mateus 13.33. Em Marcos 1.15 e Lucas 10.9-11 Jesus declarou que o reino estava próximo, chegando com Ele (Mateus 4.23 / Lucas 8.1). O reino de Deus no aspecto presente e espiritual será proclamado até a volta de Cristo à Terra (Mateus 13.3-8 e 18-19).
Jesus disse em Marcos 12.34 que o escriba pela sua compreensão se aproximou do Reino e esta era presente do reino de Deus é o tempo em que as pessoas ainda podem se aproximar dEle. Jesus também disse que agora os homens tentam entrar no reino por sua força (Mateus 11.12 / Lucas 16.16), mas para tomarmos posse do reino presente e espiritual é necessário submissão, crer e se arrepender (Marcos 1.15 / Mateus 4.17), ser regenerado (João 3.3 e 5), demonstrar lealdade total ao reino, sendo um verdadeiro discípulo (Mateus 13.52 / Lucas 9.60-62) e ter um alto nível de justiça (Mateus 5.20).
O reino de Deus pode ser aberto ou fechado pelos homens; Pedro recebeu as chaves para abrí-lo (Mateus 4.26-29), mas os fariseus preferiram fechá-lo (Mateus 23.13).

Na perspectiva presente e espiritual, o reino de Deus cresce rapidamente por ser espontâneo (Marcos 4.26-29). Jesus usou a parábola do grão de mostarda (Mateus 13.31-32) e a da levedura (Mateus 3.23) para ilustrar isso. Os súditos do reino presente e espiritual tem de manifestar suas qualidades de caráter que reflitam o caráter de Jesus:
– Justiça (Mateus 5.20)
– Perdão (Mateus 18.21-23)
– Docilidade (Mateus 18.3-4)
– Amor (Mateus 25.34)

O 2º aspecto do reino de Deus nos ensinamentos de Jesus é aquele que tem uma conotação futura, o que na teologia é conhecido como escatológico. Quando chegar este tempo, o reino também terá uma característica política (Mateus 10.28; 20.21-23 / Lucas 22.29-30 / Atos 1.6-7) e social (Mateus 8.11-12 / Lucas 22.16-18 e 30 / Mateus 26.2). A consumação do reino acontecerá na volta de Cristo (Atos 2.16-21 = o dia do Senhor), quando Jesus entrega o reino ao Pai numa atitude de total dependência e submissão (1 Coríntios 15.24-25). Este reino escatológico também terá uma relação com o perfeito estado-eterno, que é o ápice do reino de Deus (Mateus 25.34 e 46).

REFLEXÃO PRA SEMANA:

Em termos práticos, o reino de Deus não é físico e sim espiritual. Isso quer dizer que devemos ganhar e expressar a visão do Reino de Deus em todas as áreas de nossa vida cotidiana. Jesus nos disse que o Reino de Deus deve ser a preocupação máxima de nossa vida, da vida daqueles que são seus discípulos (Mateus 6.33).
O que pode nos afastar dessa perspectiva? Colocar os interesses do reino em 1º lugar somente quando as nossas preocupações diárias e questões problemáticas como comida, trabalho, estudo ou quaisquer outras coisas tangíveis tiverem sido solucionadas? (Mateus 6.31-32). O Reino de Deus, sob a ótica presente e espiritual, de acordo com Romanos 14.17, tem na vida do cristão as práticas a seguir:
* justiça = retidão moral. É por isso que os injustos não herdarão o Reino de Deus
* paz = comunhão entre irmãos fortes e fracos. Os cristãos devem viver em unidade e harmonia, além de placa de denominações religiosas ou a falta delas
* alegria = uma experiência verdadeiramente espiritual, promovida pelo Espírito Santo em seu interior. A alegria é um dos frutos do Espírito (Gálatas 5.22)
Paulo diz que o Reino de Deus deve estar focalizado em valores espirituais. O Novo Testamento, principalmente nas cartas que Paulo escreveu, descreve o Reino de Deus como uma herança futura, mas também é apresentado e definido como algo que já se mostra presente na vida dos discípulos de Cristo, através da habitação do Espírito Santo. Agora Ele se manifesta em poder espiritual, logo mais será manifestado em Glória.

(Estudos baseados na apostila: “Teoria e prática da vida de Cristo” do Instituto Teológio Quadrangular-ITQ)

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4 Respostas para “Jesus – parte 9

  1. Marcelo, é verdade! eu, mesmo depois de 3 anos tendo sido plantada em outras terras, ainda tô tendo essa dificuldade, mano…

  2. mano DECIO, valeu por achar um erro de digitação, eheheh
    e brigada pela visita 🙂
    ABRAÇÃO,
    Silvinha
    0604112026smrr

  3. Em 6 de abril de 2011 17:19, Decio Cardoso escreveu:

    Li o último post do Blog. Tá fera!
    Só nas meditações para a semana q tem uma frase “Os justos não herdarão o Reino”. (?)
    Abrçs!

    DÉCIO CÉSAR CARDOSO

    “O propósito eterno de Deus é ter uma família de muitos filhos, semelhantes a JESUS” (Romanos 8:28-29)

    “God’s eternal purpose is to have a big family of many children like Jesus”. (Romans 8:28-29)

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